
Olhe para o espelho. O que vê?????
Esse negócio de engravidar mexe um tanto com os sentimentos mesmo... sou uma montanha russa, pronta pra despencar....
choro vendo comercial, tenho crises de riso com uma piada (era piada?)... e caio constantemente em auto-avaliações.
Hoje fiquei me questionando se sou ou fui uma boa filha, e, infelizmente, colocando muito a minha mão na consciência, percebi que não. Não fui boa filha, apesar de somente nesses últimos anos estar tentando reparar meus erros.
Fui inconsequente, inconstante, revoltada, desobediente, rebelde... passei por AQUELA fase da adolescência de cabeça para baixo e levando a sanidade da minha mãe aos mais perfeitos testes de auto-controle. Nem sempre ela saía-se perfeitamente no teste crítico de paciência, mas não posso culpá-la, também. Tive o namorado bad boy, fugi de casa, quebrei quadros e espelhos, gritei, xinguei, voltei... e ela lá... de braços abertos... me repreendendo, podando, mas sempre de braços abertos. Voltei chorando muitas vezes, e muitas vezes errei de novo e de novo... e quando achava que ela não ia mais me desculpar.... lá estavam os braços abertos mais uma vez, mesmo eu sabendo que, no fundo ela queria ter coragem de algumas vezes não abri-los tanto, pra ver se eu aprendia mais rápido...
Aí cresci... um dia eu cresci. Assim, de uma hora para outra, mesmo... sem explicações do destino. Não me vi ficando adulta, não vi a transição. Só aconteceu.
E aconteceu exatamente no momento de maior dor, de maior sofrimento. O tipo de sofrimento que nem os braços abertos da minha mãe podiam ajudar no momento. Mas ela era uma das poucas que estavam do meu lado. Ela sempre esteve ao meu lado.
Sinceramente, vejo pessoas irem e virem, mas em TODOS os momentos ela foi a única sempre lá para me falar a verdade, independente se doesse. E foi uma das principais lições que ela me passou. Por mais que doa, você nunca se arrependerá da verdade.
Me apaixonei, casei. E não tenho do que reclamar. Desde o início ele também esteve lá. De braços abertos.
Aí, hoje me vejo grávida e repenso todas essas fases. As de muitos erros e poucos acertos. E tenho minhas dúvidas se conseguirei ser uma boa mãe, não tendo sido capaz de, em todos os momentos ser uma boa filha.
Olho para os jornais falando da falta d'água, das destruições, da violência gratuita, das piadas no governo, guerras e me pergunto como vamos conseguir.
Será que todo mundo passa por isso?
sei que amanhã estarei sorrindo, mas, nesse momento, derramo minha quota de lágrimas medrosas.
Desculpem o desabafo, mas de vez em quando, a gente se questiona. Olhar para o próprio rabo é muito mais difícil.
Tente. Nem todos conseguem.